O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar na possibilidade de ser candidato à Presidência da República em 2018. Quatro dias após dizer, em ato no Rio, que era “muito cedo para discutir 2018” e que estava na idade de se aposentar”, Lula afirmou que “corre o risco” de se candidatar. Em ato nesta sexta-feira, na Avenida Paulista, Lula criticou o que chamou de vazamentos seletivos das investigações da Operação Lava-Jato e disse que não perdoa os áudios divulgados com conversas suas. O protesto foi realizado organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, integradas por movimento sociais.
— Quanto mais provocarem, mais eu corro o risco de ser candidato a presidente — afirmou Lula.
O ex-presidente se mostrou incomodado com as críticas feitas ao PT, afirmando que o partido tem sido chamado de organização criminosa devido às denúncias da Operação Lava-Jato.
— Eu estou de saco cheio de dizerem que o dinheiro que financia as campanhas do PT é dinheiro sujo. Só faltam falar que o dinheiro que financia os tucanos é da Sacristia da Catedral da Sé — disse.
O ex-presidente chamou as mudanças realizadas pelo presidente interno Michel Temer de “golpe dentro do golpe”, afirmando que o presidente não tem legitimidade para colocar em prática outro programa de governo.
Lula criticou as atitudes que o mandatário em exercício vem tomando, como a redução de ministérios, mas afirmou que não “pegaria bem” a ele entoar o grito de “Fora Temer”, porque queria aconselhá-lo a devolver à presidência ao povo.
— Se a solução para o país fosse acabar com ministério, da Fazenda, do Planejamento e deixar o ministério dos pobres. Tirar o ministério da estatística e deixar o que cuida de gente, das crianças.
O ministro das Relações Exteriores, José Serra, também foi alvo das críticas do petista durante sua fala.
— Voltou ao complexo de vira-lata. O Brasil não pode se meter em coisa de país grande. Essa gente está lá para aprender a ser serviçal, a abaixar a cabeça para quem colonizou a gente.
Segundo Lula, Temer não age como um presidente interino e lembrou que o presidente é advogado constitucionalista e, de acordo com o petista, sabe que não agiu corretamente.
— Eles têm medo das coisas públicas, dos bancos públicos e das empresas públicas porque eles não sabem governar, só sabem privatizar e para privatizar não precisa ter governo — disse.
O líder petista também fez um ataque direto à Câmara dos Deputados ao dizer que os “300 picaretas de que falei em 1994 aumentaram um pouco”, se referindo aos 367 deputados que aprovaram a abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff em abril.
Embora estivesse muito rouco e, após sete minutos de discurso, tenha tido que interromper pra tomar água, Lula negou que esteja doente aos jornalistas chamou sua rouquidão de "bobagem".
ELEIÇÕES DIRETAS
Nenhuma liderança social mencionou diretamente a proposta de plebiscito para novas eleições diretas, que vem sendo discutida na cúpula do PT. Em referência indireta à ideia, o presidente da CUT, Vagner Freitas, que é contrário ao plebiscito, afirmou:
— Nosso papel é impedir o golpe, depois da volta da presidente Dilma, nós vamos ver o que vamos fazer.
O presidente Lula tampouco falou sobre plebiscito durante seu discurso. De acordo com Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula e braço direito do líder petista, ele tem ouvido senadores que defendem a consulta popular mas ainda não definiu sua posição.
— A posição de Lula é a mesma posição de Dilma, disse Okamotto.
Em entrevista a TV Brasil, Dilma já cogitou fazer o plebiscito. Lideranças da executiva do PT dizem que cabe à Dilma ter esse "protagonismo" de chamar ou não o plebiscito.
Do Extra
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